"Diagnóstico não é destino"

Meu diário

You are an Ironman

IMG_0715 Certificado Ironman Fernanda Hayde

Em 2017 fiz o Ironman Brasil (IMB) em 13h23min, esse ano eu já sabia que iria aumentar meu tempo, sabia que iria sofrer, mas não imaginava que seria tanto.


Natação 3.800: a natação é dividida em 2, são as duas pernas do M, no meio disso saímos da agua e corremos na areia. Nadei 5 min a mais que 2017, a primeira pernada do M foi fácil, mas na segunda eu quase não conseguia mais bater a perna, tive um cansaço absurdo. Fiz muita força com os braços para compensar a pernada fraca. Sai para a transição 1 (T1), muito cansada, com muita dor, nos braços e na coluna inteira.


Ciclismo 180km: essa parte é dividida em 2 voltas de 90km. Foi o pior histórico de vento no ciclismo dos últimos 5 anos de IMB.Primeira volta foi um inferno, uma dor absurda no corpo todo, tinha que fazer muita força pra pedalar contra o vento, isso me deixou acabada. Tentei aliviar a dor com Advil (Ibuprofeno) tomei 2 capsulas, mas não teve efeito nenhum. Tive que parar duas vezes, uma em cada volta de 90km, parei para tomar Tylex (Fosfato de codeína +paracetamol) 30mg e alongar a lombar, ai tive um alivio moderado da dor, consegui terminar o pedal, com 1 hora a mais que em 2017. Juro que na primeira volta eu pensei que eu iria travar, e que não conseguiria terminar a prova.

Transição 2 (T2): tomei mais um Tylex, nesse momento não sabia como iria conseguir correr.

Corrida 42km: é dividida em 3 voltas, 1ª de 22km, e outras duas de 10,100. Assim que sai da T2 e pensei, preciso passar na frente da minha família correndo, depois eu vejo o que faço. Corri na frente deles e logo depois comecei a caminhar, no Km 3 inicia Canasvieiras, esse parte do percurso é só morro, até o km 15 eu alternei entre caminhada e trote, muito mais caminhada. A minha dor era insuportável, quando o meu sacro dói, sinto muita dor abdominal, meu abdômen estava muito inchado, não dava para tocar na minha coluna e na barriga. Eu já não conseguia mais me alimentar e nem suplementar. Rezei tanto, olhei para o céu vi várias estrelas e comecei a pedir força.

Meu marido Jean estava acompanhando pelo aplicativo e nesse momento já estava desesperado, pois o aplicativo só atualiza quando o atleta passa pelo tapete e este estava localizado no km 13 e eu levei 2 horas pra fazer 15km, nesse tempo eu já deveria estar terminando a primeira meia maratona.

Então ele e um amigo o André (Bec) foram me procurar de bicicleta, quando me encontraram eu estava péssima, pálida, caminhando, sem forças nenhuma. Até esse momento com os 2 Tylex do ciclismo e mais 3 que tomei na corrida (total 5), estava esperando a dor passar, o que parecia impossível.

O Jean ficou apavorado, pois o aplicativo estimava que eu terminaria a prova pelas 23:30, meu limite era até 00:15, que seriam as 17 horas.

Tentou me convencer a parar, disse que eu não devia nada a ninguém e que se eu não estava mais suportando que deveria desistir.

As palavras foram mágicas para meu ouvido, me deu uma força absurda, desistir não faz parte de mim, comecei a correr e não parei mais, assim corri até o final.

Quando entrei na reta final da Búzios, eu não acreditava de tão feliz, eu estava acabando a prova e muito antes do que o aplicativo estava indicando, finalizei em 15h22min.

Literalmente pensei que devo ser um ET, não falo isso por soberba, não sou melhor que ninguém, mas percebi que durante essas 15h e pouco, eu consegui manter o meu pensamento 100% positivo, só assim consegui suportar a dor de uma sacroileíte grau 3. Para você entender o que é essa dor, vou fazer uma analogia, imagine que você foi atropelado e que o carro passou com a roda em cima do seu quadril, agora se imagine fazendo um ironman assim. Resignação e Resiliência são meus mantras, aqui é IRONWOMAN 2 VEZES!!! 



Imagem Lucas Foletto
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